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Quinta Etapa, 26 de Maio de 2007.
Por Juliano "Kowalski" Barata.

O frio esteve presente durante toda a semana, e não poderia ser diferente na última etapa do primeiro semestre do campeonato Históricos V8 5000. O céu claro e a iluminação pálida do sol eram típicos de inverno, proporcionando um clima europeu a este final de semana. Era um clima muito agradável para se correr, pois o asfalto manteve-se suficientemente quente por conta da luz solar, e a temperatura ambiente favoreceu a mecânica dos carros e até mesmo o conforto dos pilotos e preparadores em serviço.



Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne

Um clima europeu também representado pela prova, ocorrida no mesmo dia, da categoria Porsche GT3 Cup Challenge Brasil – um espetáculo à parte de beleza e desempenho. Por conta do acréscimo de carros no paddock, todos os carros da Históricos V8 5000 dividiram o mesmo box; o que acabou servindo para unir e confraternizar ainda mais a categoria. Mesmo estando no último box, praticamente dentro do “S do Senna”, haviam muitos convidados e curiosos sempre circulando, observando, e conversando com pilotos e mecânicos, denotando a popularidade da categoria que está em pleno crescimento.

Na classificação, Renato Hiluey (Ford Maverick 21) obteve a pole com o tempo de 2 minutos e 10,263 segundos, abaixando em 1,387s o recorde da categoria, que já era seu. André Carrillo (Maverick 16) aperfeiçoou sua melhor marca em mais de quatro segundos e meio – e após os treinos, pegou dicas preciosas com os pilotos, que teriam sua eficácia comprovada em corrida.


Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne

Novamente não foi um bom dia de provas para David Brunstein (Maverick 5). Embora seu novo motor estivesse um verdadeiro canhão, outro problema surgiu durante a classificação, confirmando o inferno astral no mês de seu aniversário. Em sua primeira volta rápida, na saída da Curva do Sol, o volante não retornou à posição central, obrigando o piloto a conduzir o carro com a peça fora de centro para que pudesse completar a volta e trazer o carro aos boxes. Sem voltas rápidas completas, Brunstein largaria da última posição.

Após uma análise cuidadosa, os preparadores da Pedrinho Racing concluíram que o problema estava na caixa de direção. Com pouco tempo disponível, fizeram o que foi possível; mas com a certeza de que a melhor solução demandaria um tempo que eles não dispunham.

O briefing foi muito rápido. Apenas foi salientado os cuidados e procedimentos para a largada lançada: fila dupla rigorosamente indiana, e aceleração somente após o asfalto escuro, na subida dos boxes. Os pilotos da Históricos V8 também debateram sobre o que seria melhor em termos de segurança: continuar a correr com os carros da Força Livre, onde há muita disparidade de desempenho; ou sugerir a incorporação da categoria no grid da Super Classic, cujos tempos de volta são compatíveis com a da Históricos V8. Tendo positivos e negativos em cada opção, os pilotos decidiram manter da forma atual e continuar a correr com a Força Livre.

Para se descrever o início da corrida, “emocionante” não é adjetivo suficiente. André Carrillo conseguiu uma excelente e impressionante largada lançada, ultrapassando alguns carros da Força Livre e superando Renato Hiluey, que estava três posições à frente no grid.

Mas infelizmente, passou do ponto de frenagem para o “S do Senna” e foi para a grama. Conseguiu recuperar o carro sem bater, e voltou exatamente atrás de David Brunstein, que partiu da última posição.


Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne

Ambos correram lado a lado durante boa parte da reta oposta, até a Curva do Lago ser decidida a favor de Carrillo. Poucos instantes depois, a caixa de direção de Brunstein apresentaria sintomas preocupantes de funcionamento, e tiraria qualquer chance do piloto disputar com seus rivais. No entanto, ele não desistiu, e foi até o fim para obter seus pontos, brigando com um carro que sequer esterçava com obediência aos comandos do volante. A perseverança no estilo “Gilles Villeneuve”, de continuar correndo com o equipamento em condições severamente adversas tornou-se sua marca registrada.

André, após superar David, partiu então para perseguição a Renato Hiluey – que não é osso fácil de roer, pois possui maior experiência e conta com um carro muito estável. Carrillo melhorou sua marca pessoal em ainda mais 4,6 segundos em relação aos treinos, fazendo 2:13,951 na segunda volta, confirmando seu progresso técnico. Assim, a diferença entre os dois se manteve estabilizada entre oito e nove segundos por três voltas.


Fotomontagem: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne

Mas a partir de então, os freios de André, que segundo o piloto já não apresentavam funcionamento perfeito, começaram a falhar progressivamente. Com isso, a partir do quarto giro, a diferença entre ele e Renato aumentou em uma proporção de dois a três segundos por volta.

Hiluey administrou com perfeição e venceu tranquilamente a prova, com 26 segundos de vantagem sobre André Carrillo. David Brunstein, fazendo as voltas finais pelo meio da pista tal era a situação de sua caixa de direção, terminou duas voltas atrás do líder.


Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne

Conclusões da prova. Primeiramente, sem dúvida, com um mínimo a mais de experiência, André Carrillo estará disputando palmo a palmo com David e Renato por vitórias. Vontade e competência já ficaram claros.

Segundo: Brunstein, passado o “inferno astral” que assola seu equipamento, sem dúvida poderá vencer novamente nas próximas etapas.

E terceiro: Hiluey, mais uma vez, comprovou a segurança de sua tocada e a estabilidade de seu equipamento; faturando outro Hat Trick (pole, volta mais rápida, e vitória) e afirmando sua liderança no campeonato.


A próxima etapa em Interlagos será somente em Novembro, devido às obras de recapeamento no autódromo. Há uma possibilidade de se disputar uma prova em outro autódromo neste tempo. Fique atento ao Mulsanne: acompanharemos de perto a montagem e construção dos novos carros, e continuaremos a trazer artigos, notícias e informes a respeito do campeonato Históricos V8 5000 !

Confira o especial de 34 fotos (créditos: Juliano "Kowalski" Barata), e mais abaixo, os resultados e estatísticas da prova e do campeonato!



Esta foto foi tirada cedo. Em breve, o Box estaria
lotado de pessoas, risadas e roncos de V8 302...


...como vocês podem conferir! Só não dá pra
ouvir os roncos!


Edson e um sanduíche de metro: “está servido”? Caio da 8Ball Garage (ao centro) presta sua admiração ao preparador Pedro Lioi, o famoso Pedrinho. O clima de descontração está sempre presente nos boxes...



...o que explica o trabalho de pintura “artística” de
Edson no espelho de David Brunstein. Segundo o
autor, a intenção era proporcionar sensação de
velocidade, mas o piloto não exatamente concorda!



Uma vez no cockpit...

...concentração e seriedade..


Renato Hiluey escutando alguns conselhos de seu pai
Edílson, também piloto e futuro participante da categoria.


Note a subida da reta dos boxes. De passagem,
Renato Hiluey, com o pé na tábua...

...bem como David Brunstein e André Carrillo.



Marcas de pista, número do Speed Racer..


Bad to the Bone – David Brunstein


Bad to the Bone II – André Carrillo



Bad to the Bone IIb – André Carrillo


Bad to the Bone III – Renato Hiluey



Brunstein logo após o problema na caixa de direção.

Pedro Lioi está sob o Maverick, verificando o
sistema de direção.

Pedrinho com a mão na massa, mandando ver.

Sr. Baptista (de óculos) e um ajudante,
verificando o timing do comando de válvulas.



Visão do cockpit de André Carrillo.


Eduardo Lioi empurra o carro de David para os boxes.
Adauto auxilia.


Renato Hiluey após o novo recorde.


Terceira marcha onde? Quarta quando? Os pilotos
da Históricos V8 5000 se ajudam, trocando
opiniões sobre as curvas de Interlagos.


Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. Pra quem acha que
“Históricos V8 5000” é um nome de categoria comprido.

Quando carros como este trovejam seus giros a
5500rpm, todos vêm conferir. É irresistível, ao
menos para quem gosta de motores.

Liberada a pista para a formação do grid de largada!

Renato saindo para a formação do grid.

André Carrillo, idem.



David Brunstein, idem


Renato e Edílson Hiluey dividem a alegria da vitória,
juntamente com Eduardo Lioi da Pedrinho Racing!


André Carrillo trazendo a máquina de volta
“para casa”, após a corrida.


David Brunsein explicando os sintomas de seu carro
para Eduardo Lioi após a corrida.


Após a prova, os pilotos Renato Hiluey e André
Carrillo se refrescam; acompanhados de Edílson
Hiluey (câmera a tiracolo) e Eduardo Lioi (camiseta amarela).

Após estourar o champagne, Renato degusta a
vitória. Á direita, David, com cara de quem vai
aprontar.

O clima amistoso entre os pilotos. Da esquerda para
direita: Renato Hiluey, David Brunstein e André Carrillo.







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