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Foi
uma corrida cheia de surpresas. Algumas muito interessantes,
outras nem tanto. Temperada por uma chuva grossa que castigou
o autódromo de Interlagos, a oitava etapa do Campeonato
Históricos V8 5000 foi marcada pela participação
especial do piloto Fernando Baptista (o "Batistinha",
dono de uma oficina
de customização), a estréia oficial
de Reinaldo Hernandez, e o primeiro acidente envolvendo um
carro da categoria. André "V8" Carrillo não
participou desta prova, pois estava em recuperação
após uma pequena cirurgia: seu Maverick número
16 foi pilotado por Batistinha.
O
céu se encontrava totalmente cinza-chumbo, esgotando
as possibilidades do clima melhorar ao longo do dia. Os treinos
classificatórios começaram com uma garoa que
rapidamente se transformou em uma chuva respeitável,
formando poças em alguns locais e criando um cenário
cheio de armadilhas, com zebras e trilho emborrachado escorregadios,
e muita sujeira acumulada fora da racing line. Nessas
condições de pouca aderência, a pilotagem
de automóveis com tração traseira torna-se
não somente dificultosa, mas também desvantajosa
em relação aos bólidos de tração
dianteira, pois a capacidade de tracionamento diminui muito
devido à menor transferência de peso entre os
eixos.
Foto:
Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne
Fernando
Baptista, com seus anos acumulados como piloto profissional
e muito experiente com os Ford V8, andou no fio da navalha
e ignorou as condições problemáticas
da pista. Conquistou uma marca impressionante para a pista
encharcada, 2 minutos 15 segundos, e 415 milésimos,
conquistando a primeira posição na categoria.
Atrás dele, classificaram-se respectivamente Renato
Hiluey (n.21), David Brunstein (n.5), Amilton Roschel (n.22)
e Reinaldo Hernandez (n.11).
"Está
um pouco complicado. Ali perto do Bico-de-Pato tem um verdadeiro
rio, está fácil de aquaplanar. Na Curva do Lago
a situação está parecida, mas não
tão ruim..." foram os comentários
de Amilton, logo após sair de seu Maverick "Greco".
Seu filho Hamilton, costumeiro piloto do automóvel,
não participou desta etapa.
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São
Pedro realizou uma pequena piada de mal-gosto com os
participantes da Históricos V8. Não chovia
há quase uma hora, e esta prometia ser a situação
para a prova. Contudo, bastaram os Ford Maverick saírem
para o alinhamento do grid, e o céu veio abaixo
mais uma vez. Com menor intensidade em relação
aos treinos, mas indecisa: um vai-e-vém suficiente
para transformar cada curva em uma incógnita.
Na
largada, Fernando Baptista saiu muito bem. Decidido
a abrir espaço entre os automóveis e protótipos
da Força Livre, o piloto do Maverick n.16 andou
em um ritmo tão forte que realizou uma corrida
à parte, ultrapassando carros que normalmente
andam na frente dos Fords da Históricos V8. Fez
a alegria de seu chefe de equipe e pai.
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| As
primeiras voltas foram um caldeirão de emoções
entre os carros da Pedrinho Racing. David Brunstein
e Renato Hiluey começaram a prova já dividindo
o "S" do Senna, com o primeiro tentando realizar
uma ousada ultrapassagem por fora. No segundo giro,
Brunstein chegou a travar as rodas frontais de seu Maverick
na freada, passando a centímetros da traseira
de Renato Hiluey. Quem se dispôs a se molhar para
assistir a disputa testemunhou um belo duelo "doméstico",
vencido por Renato.
E
garantindo o déjà-vu do dia, mais uma
vez um protótipo explodiu o motor no "S"
do Senna. Mas desta vez, não foi entre as pernas
(!) da variante que o óleo ficou acumulado, e
sim a aproximadamente 100 metros da tomada – em
plena freada!
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Isso
garantiu um espetáculo aos espectadores e uma
situação de extremo perigo aos pilotos,
que se aproximam do trecho a mais de 200 por hora. Um
total de aproximadamente quinze carros passaram reto
no "S" do Senna. Alguns pilotos adaptaram
o traçado para evitar o rastro de óleo,
adiantando a freada e indo totalmente por dentro, pelo
lado esquerdo da pista.
Foi
uma estréia cheia de emoções para
Reinaldo Hernandez. Eram condições perigosas
para uma primeira corrida, mas o piloto conseguiu correr
bem, sem maiores problemas. Saiu do cockpit muito feliz,
e saiu à procura de seu amigo Amilton Roschel
para celebrar o momento.
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Mas
não foi somente Reinaldo que esteve procurando Amilton.
Vários minutos se passaram após a bandeirada,
e o piloto do Maverick n.22 não se encontrava em lugar
algum. Como não houve bandeira vermelha, safety-car,
ou qualquer outra sinalização mais relevante
durante a corrida, suspeitava-se de que o carro tivesse quebrado
em algum lugar da pista. E de fato quebrou, em um acidente
infeliz causado pelo excesso de ousadia de um dos protótipos,
e pela falta de estrutura do Autódromo José
Carlos Pace.
| Vamos
ao ocorrido. Na quinta volta, após a segunda
perna do "S" do Senna, um protótipo
se aproximou espalhando com um certo perigo, pelo lado
direito do carro de Roschel. Não querendo criar
situações de risco, Amilton colocou as
duas rodas esquerdas sobre a grama para abrir espaço:
foi quando ocorreu o inacreditável.
O
carro passou sobre, pasmem, uma enorme tampa de ralo
mal posicionada, que explodiu um de seus pneus e o fez
perder o controle do Maverick! O Ford atingiu o guard-rail
do lado interno da variante, danificando severamente
o paralamas dianteiro esquerdo e o radiador de óleo.
Amilton levou o carro alguns metros adiante, e parou-o
em um local seguro.
N.E.: conforme soubemos posteriormente, não houveram
danos estruturais ou mecânicos, e o Maverick já
se encontra em plena forma.
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Assim,
a ordem pós-bandeirada da oitava etapa da Históricos
V8 5000 foi: Fernando Baptista, Renato Hiluey, David Brunstein,
Reinaldo Hernandez e Amilton Roschel. O Maverick n.21 de Renato
foi desclassificado após a chegada, por um problema
técnico no sistema de arrefecimento dos freios.
Não
perca logo abaixo o especial de 25 fotos
(créditos: Juliano "Kowalski" Barata), e
os resultados e estatísticas da prova e do campeonato!
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