| Chover
ou não chover, eis a questão presente entre
os pilotos do Campeonato Paulista de Automobilismo. Os treinos
livres de sexta-feira foram marcados por ventos e uma fina
garoa; e a quantidade massiva de nuvens que se extendiam até
o fim do horizonte não garantiam expectativas animadoras
ao dia da corrida.
Felizmente,
São Pedro decidiu dar uma trégua e não
choveu nem garoou no Sábado. Contudo, o clima permaneceu
relativamente frio e nublado. A temperatura amena favoreceu
não somente aos motores, que geram maior potência
com as moléculas de ar mais condensadas e correm risco
menor de superaquecimento, mas também ajudou a função
dos pilotos e mecânicos. O asfalto poderia oferecer
melhores condições de aderência acaso
houvesse um pouco de sol, mas como veremos a seguir, não
impediu o progresso de velocidade dos carros e pilotos.
Foto:
Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne
A
categoria Históricos V8 5000 esteve em festa neste
final de semana. Era a estréia de mais um carro a participar
da competição, e uma bela homenagem a uma das
maiores equipes da história do automobilismo brasileiro:
a Greco, de Luiz Antônio Greco. O Maverick-tributo pertence
a Amilton e Hamilton Roschel, do Ford V8 Clube, e foi caracterizado
com grande fidelidade ao carro original, que por sinal competia
na Divisão 1 representando a equipe oficial da Ford,
categoria na qual a Históricos V8 se inspirou na construção
do regulamento pautada pelo espírito competitivo. O
bólido ainda está em fase de ajustes, processo
conhecido por todos que testemunharam a estréia dos
automóveis das equipes Pedrinho Racing e André
V8 Automotor.
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A
intenção dos veteranos Renato Hiluey,
André "V8" Carrillo e David Brunstein
era buscar a vitória a qualquer custo, e isso
já se mostrou nos treinos oficiais: apenas três
segundos separaram o trio. Hiluey inverteu a estratégia
em relação à etapa anterior e imprimiu
um ritmo muito forte de classificação,
quebrando o recorde da categoria com o tempo de 2 minutos,
7 segundos e 898 milésimos.
Na
foto ao lado, é possível perceber Renato
realizando o contra-esterço no volante, segurando
a traseira de seu Maverick. Apenas uma pequena amostra
de como o piloto estava buscando o limite de seu equipamento.
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Após
a classificação, um problema no eixo traseiro
do carro de Amilton Roschel pôs em dúvida
sua participação na corrida. Após
constatar que o defeito não representaria riscos
ao condutor, decidiu-se alinhar o automóvel no
grid. Em fase de desenvolvimento, é importante
que se rode o máximo possível para análise
do comportamento dinâmico e até mesmo amplificar
a relação entre piloto e máquina.
A
largada, como sempre, foi emocionante. Renato Hiluey
saiu liderando, mas em instantes se atrapalharia com
os bólidos da Força Livre, permitindo
a ultrapassagem de André Carrilo – que
sempre larga bem e superou David Brunstein após
uma bela disputa na reta dos boxes.
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| O
que os presentes testemunharam após a largada
foi um espetáculo de pilotagem entre as equipes
rivais Pedrinho Racing e André V8 Automotor,
representados respectivamente por Hiluey e Carrillo.
Renato, disposto a recuperar a liderança a qualquer
custo, imprimiu uma pressão tremenda a André,
que estava plenamente decidido a voltar ao topo do pódium.
Os
dois Ford Maverick andaram como carros siameses ao longo
de quatro incríveis voltas. Lado a lado na reta
dos boxes, grudados no miolo, disputando centímetros,
simplesmente incrível. Infelizmente, o mesmo
espetáculo que proporcionou este belo duelo dificultou
a refrigeração dos freios de Hiluey.
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Assim,
na aproximação ao Cotovelo, após
a curva do Laranjinha, o Maverick número 21 de
Renato ficou totalmente sem freios. O piloto conseguiu
jogar o carro de lado na área de escape asfaltada,
e ao rodar, perdeu a velocidade que precisava para evitar
um impacto.
"Na
verdade, pouco antes disso eu senti que o pedal estava
começando a baixar, e imaginava que o André
também estivesse ficando sem freios. Mas os meus
foram embora antes, e sorte que havia a área
asfaltada de escape. Eu ainda tive de esperar todos
passarem, o que custou muito tempo" disse
ele.
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David
Brunstein (n. 5) neste momento encontrava-se na segunda posição,
mas ao forçar o ritmo buscando a aproximação
ao carro de André "V8" acabou rodando após
perder a entrada da primeira perna do "S do Senna".
Neste momento foi superado por Hiluey e voltou à terceira
colocação. Ao final da prova, o piloto se aproximaria
do Maverick de Renato, mas as posições foram
mantidas até a bandeira quadriculada.
André
Carrillo manteve um ritmo sólido até o final
da prova, e venceu sem problemas. O duelo com Hiluey foi obviamente
o assunto do dia após a chegada. "Foi muito
legal, mas foi bem difícil. O carro de Renato estava
bem acertado, e a pressão dele no começo foi
muito grande. Felizmente deu tudo certo e consegui me defender
bem!" disse o piloto após o pódium,
em uma postura exemplar de reconhecimento das qualidades do
rival.
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Foto:
Edilson Hiluey. Clique para ampliar.
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Amilton
Roschel imprimiu um ritmo seguro com seu Maverick número
22, buscando conhecer os limites do carro e sintomatizar
o comportamento dinâmico do carro, apontando pontos
onde melhoras deverão ser feitas. Nem por isso
o piloto deixou de se divertir em pista, disputando
espaço em curvas e freadas com os bólidos
da Força Livre, e registrando tempos de volta
similares às estréias de David Brunstein
e Renato Hiluey, em Fevereiro de 2007.
No
pódium e nos boxes após a prova o clima
era de total amizade entre os pilotos e equipes "rivais",
de maneira que cada prova da Históricos V8 se
torna acima de tudo uma confraternização
entre amigos. E a festa está crescendo...
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Confira
o especial de 20 fotos (créditos:
Juliano "Kowalski" Barata), e mais abaixo, os resultados
e estatísticas da prova e do campeonato!
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