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Oitava Etapa, 3 de Novembro de 2007.
Por Juliano "Kowalski" Barata.


Após um jejum de mais de cinco meses, os possantes da categoria Históricos V8 5000 finalmente voltaram a roncar em Interlagos! O autódromo José Carlos Pace teve seu asfalto completamente refeito, eliminando assim a superfície irregular da qual todos os pilotos de Fórmula 1 reclamavam a cada vez que vinham ao Brasil. Os participantes do Campeonato Paulista estavam curiosíssimos para experimentar o novo tapete de Interlagos, e as especulações finalmente puderam ser postas à prova.


Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne

O material utilizado para cobrir o traçado é conhecido como Matriz Pétrea Asfáltica, ou Stone Matrix Asphalt (SMA). Visualmente ele se diferencia pela presença maciça de grânulos razoavelmente grandes, e por um tom muito escuro de cinza, quase preto. Sua principal qualidade, motivo por ser utilizado há décadas em alguns países da Europa e talvez uma das principais razões para seu emprego em Interlagos, é a resistência à formação de ondulações. Alguns autódromos já haviam aderido ao SMA, como o Indianapolis Motor Speedway, um bom sinal.

Mas nem tudo são flores. O Stone Matrix Asphalt tende a ser particularmente escorregadio em seus primeiros meses de uso, conforme notícias divulgadas pela agência britânica BBC e a australiana NoosaNews. O departamento responsável pelas estradas australianas chegou a admitir, após uma série de acidentes, que cometeu um erro ao escolher o SMA. Uma alternativa encontrada pelos alemães foi a aplicação de uma camada de grânulos específicos sobre este asfalto, técnica também adotada pelos norte-americanos; e aparentemente pela empresa responsável pela reforma de Interlagos.

Ainda assim, a opinião de todos os pilotos era unânime. O piso, se por um lado estava um carpete em termos de ondulações, por outro estava um tanto quanto escorregadio; principalmente nas freadas e entradas de curva. Os tempos dos pilotos da Históricos V8 5000, em condições de clima seco, sofreram um acréscimo de quase oito segundos. É uma prova inegável de que os níveis de aderência baixaram substancialmente.


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Para David Brunstein, havia mais uma novidade além do asfalto de Interlagos: ele estrearia seu novo propulsor, feito do zero pela equipe Pedrinho Racing. Apesar da presença do chip limitador de giros a 5000rpm para terminar o processo de amaciamento, o piloto do Maverick número 5 estava otimista com as perspectivas.

André Carrillo, da equipe Automotor/André V8, estava ansioso para continuar o desenvolvimento de seu carro, já de olho no campeonato do próximo ano. Renato Hiluey (Pedrinho Racing) tinha expectativas de ampliar sua vantagem de dez pontos sobre Brunstein e assim assegurar o título de 2007. Mas uma surpresa infeliz acabou ocorrendo nos treinos para a formação do grid desta oitava etapa.

Já na segunda volta lançada, o carro de Hiluey não estava com um ronco sadio. Voltou para os boxes, e assim que saiu do carro, o piloto sintomatizou: “o carro não queria passar de 4000 giros, começava a oscilar. Achei prudente não forçar. A temperatura e a pressão do óleo estão normais.” Alguns minutos depois, parte do cabeçote do lado do motorista foi desmontada (foto abaixo): havia uma vareta torta, que havia ainda danificado a carcaça de seu respectivo balancim. Suspeitava-se de uma válvula emperrada por trás de tudo isso. A única certeza até então era de que Renato estava fora da corrida, e que ainda assim não haveria muito tempo para o conserto: a nona etapa ocorreria no dia seguinte.

Carreras son carreras, e carros de corrida quebram. Por uma fatalidade, o carro de Hiluey – comprovadamente o mais sólido desta temporada – acabou deixando-o na mão em um final de semana excepcionalmente importante, com duas etapas. Certamente ele disputaria a ponta na classificação e na corrida, pois foi o mais rápido nos treinos da manhã. Uma pena.

Neste aspecto, André Carrillo e David Brunstein tiveram um dia mais tranqüilo. Dentro da pista contudo, a coisa foi agitada. Míseros três décimos de segundo, a menor diferença em treinos de classificação do campeonato, separaram os dois e permitiram David a conquistar sua segunda pole-position no ano.


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Três longas horas separaram a classificação da corrida. A cada minuto o vento ficava mais intenso, e o céu mais escuro. A única indagação era sobre quando a chuva iria desabar. A existência de um temporal nas próximas horas já era uma certeza.

Faltando meia hora para o alinhamento do grid, começou a chover. Quando os bólidos desfilavam na volta de apresentação, era possível ver claramente o reflexo dos carros no chão – indício de que o asfalto estava ensopado, e não apenas úmido. Apesar do clima ser o mesmo para todos, os maiores prejudicados foram os participantes da categoria Força Livre, que utilizam pneus slick, mais sensíveis à temperatura e sem qualquer ranhura para o escoamento d´água.

Quando o carro madrinha entrou nos boxes e a bandeira verde foi acionada, vimos uma prova segura e responsável por parte dos dois pilotos. André passou sem dificuldades David ainda na reta dos boxes, que foi estratégico e não quis arriscar a disputar a freada do “S” do Senna na chuva: Brunstein era o único piloto em pista disputando os playoffs, portanto sua pontuação máxima estava garantida. Bastaria chegar ao final da prova.

Veja o vídeo onboard dos primeiros momentos da corrida, com André Carrillo ao volante (agradecimentos à equipe André V8/Automotor)! Note como a chuva estava forte.






( clique sobre a imagem para ampliar )

Obviamente a prática é muito mais complicada que a teoria. Com pouco tempo de prova, os limpadores de pára-brisas dos dois carros pararam de funcionar. Os faróis dianteiros de Carrillo também apresentaram problemas. Apesar da estratégia pela pontuação, Brunstein chegou a ensaiar aproximações sobre o Maverick 16 na sexta e na nona volta. Mas o ritmo forte e o intenso spray d´água levantado pelos pneus do carro de André fez Brunstein refletir e desistir do ataque: não valia a pena se arriscar tanto, já que os pontos estariam garantidos.

Assim, André “V8” administrou a corrida sem problemas, e garantiu sua primeira vitória na categoria – valorizada pelas condições perigosas de um asfalto comprovadamente escorregadio, e em um dia chuvoso. E David Brunstein viu-se com as esperanças do campeonato de 2007 reacendidas.

Para encerrar, uma curiosidade: André Carrillo quase abre mão de sua vitória por um pequeno engano. Em meio à chuva, ao ver uma bandeira ser acionada da torre, concluiu que a prova havia se encerrado. Já estava se preparando para a entrada dos boxes, quando notou que o bólido da Força Livre à sua frente passou reto. Recuou rapidamente seu Maverick de volta à reta dos boxes e recebeu, agora oficialmente, a bandeira quadriculada. Essa foi por pouco!

Confira o especial de 42 fotos (créditos: Juliano "Kowalski" Barata), e mais abaixo, os resultados e estatísticas da prova e do campeonato!



Resquícios da chuva que marcou
os treinos livres da manhã.

 


Do Maverick de quem é este detalhe?


E este?


Talvez saiba algo deste?


Respostas: David Brunstein (5)...


André "V8" Carrillo (16)...

E Renato Hiluey (21) !


Em primeiro plano, Edílson Hiluey,
piloto que participará da categoria
a partir do ano que vem!

 


David explicando a importância do
correto posicionamento de pilotagem a um
amigo. Uma vez com os cintos apertados, não
é possível mover os ombros para a frente.


Hora de se preparar para os treinos oficiais...


Detalhe caprichado no carro de Carrillo!


Escritório de Brunstein. "Estou cheio de
brinquedinhos novos no cockpit!". Percebe-se!


Capricho e limpeza no cockpit de André "V8".
Note a proximidade da alavanca ao volante,
fato comum a todos os carros participantes.


Adauto conferindo a instrumentação e instalando
os cintos de David Brunstein.


Edilson Hiluey dando uma força ao filho.
A regularidade havia marcado a campanha
do piloto até então.

Saindo para os treinos. Note o céu londrino
e traços d´água no chão.


Mais uma tomada do carro de Hiluey.


Classificação: Renato mandando ver na freada
para o "S" do Senna. Os bólidos superam
210 quilômetros por hora na reta dos boxes!


Na segunda volta, o motor de Renato apresenta
irregularidades no funcionamento. Eduardo e Adauto
já estão prontos para averiguar o defeito. Edílson
vai em direção ao capô para abrí-lo.


O defeito ainda era um mistério. Neste momento,
todos discutiam as possibilidades, enquanto a
classificação ocorria do outro lado do muro.


Eduardo Liói removendo os balancins
Crane Gold. Verdadeiras jóias.


Em primeiro plano, note a carcaça do balancim
danificada pelo deslocamento de uma vareta.


Enquanto isso, do outro lado de Gotham City...


Brunstein e Carrillo, separados por apenas 0,339s!

Note as marcas de pista na porção inferior
do paralamas traseiro. Spirit of Racing!


Pedrinho e Adauto verificando a presença de
ar nas linhas de freios do carro de Brunstein; devido
ao fading sofrido em determinado momento dos treinos.


Propulsor do Maverick de André "V8", preparado
com capricho pelo Sr. Baptista/Automotor!


Este motor é completamente novo, receita
campeã de Pedro Lioi/Pedrinho Racing!


Detalhe do carro de David Brunstein.


Dedicação total. Logo após os treinos oficiais,
Carrillo já analisava com sua equipe sua
performance em pista. Colheria os frutos
instantes depois.


Caio Stedile/Equipe 8 Ball Garage. Estréia ano que
vem. Não, este não é o carro de pista dele.
E sim, este carro estará presente nas páginas
do Mulsanne em breve!


Casco de Brunstein sobre o número 5 "Speed Racer".


O bólido de Carrillo sendo preparado para entrar
na pista. Desta vez, para a corrida.

Novo acabamento na saia dianteira do
Maverick de Brunstein...


Foto tirada cerca de 3 horas antes da corrida.
O tempo pioraria muito, e uma chuva
castigaria os pilotos, preparadores, e convidados.
Note a textura da Matriz Pétrea Asfáltica (SMA).


Ao vencedor, os louros da vitória!! Êpa, mas
cadê a água? Explicação: foto tirada nos
treinos oficiais. Ah, bom...


Procurou água, achou! Note o embaçamento
dos faróis dianteiros.


David, feliz logo após o término da corrida...


...e contando detalhes a amigos. Ao fundo, de
amarelo, Adauto (esq.) e Pedro Lioi (dir.), da
equipe Pedrinho Racing!


Água. Muita!


Clima descontraído no pódium. Carrillo, bastante feliz com
sua merecida vitória. David, satisfeito pela conquista
de pontos. O campeonato ficou disputado!



Veja também uma bela galeria de fotos da 8ª e 9a ª etapa da Históricos V8 5000, no site do piloto André "V8" Carrillo!
Clique aqui para abrir a galeria em uma nova janela!


 


Grid de Largada

- 05 - David Brunstein...........................................................2:16.412 (volta 5 @ 113,717)
- 16 - André Carrillo..............................................................2:16.751 (volta 5 @ 113,435)
- 21 - Renato Hiluey.............................................................2:18.229 (volta 1 @ 112,222)



Corrida
.....................................................................Voltas.............Tempo Total..........;;;....Melhor Volta
- 16 - André Carrillo.....................12............33:14.668............2:30.157 (volta 8 @ 103,308)
- 05 - David Brunstein..................11............30:41.276............2:32.640 (volta 6 @ 101,627)
DQ - 21 - Renato Hiluey............................................................não participou (problemas mecânicos)



Pontuação da Etapa

- André Carrillo..................(0*)
- David Brunstein...............(12 + 1 pole)
DQ - Renato Hiluey................(0)

* vencedor da prova, mas fora da disputa dos "play-offs"



Campeonato após a etapa

- David Brunstein...............55 pontos
- Renato Hiluey.................52 pontos
- André Carrillo..................10 pontos



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