| Após
um jejum de mais de cinco meses, os possantes da categoria
Históricos V8 5000 finalmente voltaram a roncar em
Interlagos! O autódromo José Carlos Pace teve
seu asfalto completamente refeito, eliminando assim a superfície
irregular da qual todos os pilotos de Fórmula 1 reclamavam
a cada vez que vinham ao Brasil. Os participantes do Campeonato
Paulista estavam curiosíssimos para experimentar o
novo tapete de Interlagos, e as especulações
finalmente puderam ser postas à prova.
Foto:
Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne
O
material utilizado para cobrir o traçado é conhecido
como Matriz Pétrea Asfáltica, ou Stone Matrix
Asphalt (SMA). Visualmente ele se diferencia pela presença
maciça de grânulos razoavelmente grandes, e por
um tom muito escuro de cinza, quase preto. Sua
principal qualidade, motivo por ser utilizado há décadas
em alguns países da Europa e talvez uma das principais
razões para seu emprego em Interlagos, é a resistência
à formação de ondulações.
Alguns autódromos já haviam aderido ao SMA,
como o Indianapolis Motor Speedway, um bom sinal.
Mas
nem tudo são flores. O Stone Matrix Asphalt
tende a ser particularmente escorregadio em seus primeiros
meses de uso, conforme notícias divulgadas pela agência
britânica BBC e a australiana NoosaNews. O departamento
responsável pelas estradas australianas chegou a admitir,
após uma série de acidentes, que cometeu um
erro ao escolher o SMA. Uma alternativa encontrada pelos alemães
foi a aplicação de uma camada de grânulos
específicos sobre este asfalto, técnica também
adotada pelos norte-americanos; e aparentemente pela empresa
responsável pela reforma de Interlagos.
Ainda
assim, a opinião de todos os pilotos era unânime.
O piso, se por um lado estava um carpete em termos de ondulações,
por outro estava um tanto quanto escorregadio; principalmente
nas freadas e entradas de curva. Os tempos dos pilotos da
Históricos V8 5000, em condições de clima
seco, sofreram um acréscimo de quase oito segundos.
É uma prova inegável de que os níveis
de aderência baixaram substancialmente.
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Para
David Brunstein, havia mais uma novidade além
do asfalto de Interlagos: ele estrearia seu novo propulsor,
feito do zero pela equipe Pedrinho Racing. Apesar da
presença do chip limitador de giros a 5000rpm
para terminar o processo de amaciamento, o piloto do
Maverick número 5 estava otimista com as perspectivas.
André
Carrillo, da equipe Automotor/André V8, estava
ansioso para continuar o desenvolvimento de seu carro,
já de olho no campeonato do próximo ano.
Renato Hiluey (Pedrinho Racing) tinha expectativas de
ampliar sua vantagem de dez pontos sobre Brunstein e
assim assegurar o título de 2007. Mas uma surpresa
infeliz acabou ocorrendo nos treinos para a formação
do grid desta oitava etapa.
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Já
na segunda volta lançada, o carro de Hiluey não
estava com um ronco sadio. Voltou para os boxes, e assim que
saiu do carro, o piloto sintomatizou: “o carro não
queria passar de 4000 giros, começava a oscilar. Achei
prudente não forçar. A temperatura e a pressão
do óleo estão normais.” Alguns minutos
depois, parte do cabeçote do lado do motorista foi
desmontada (foto abaixo): havia uma vareta torta, que havia
ainda danificado a carcaça de seu respectivo balancim.
Suspeitava-se de uma válvula emperrada por trás
de tudo isso. A única certeza até então
era de que Renato estava fora da corrida, e que ainda assim
não haveria muito tempo para o conserto: a nona etapa
ocorreria no dia seguinte.
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Carreras
son carreras, e carros de corrida quebram. Por
uma fatalidade, o carro de Hiluey – comprovadamente
o mais sólido desta temporada – acabou
deixando-o na mão em um final de semana excepcionalmente
importante, com duas etapas. Certamente ele disputaria
a ponta na classificação e na corrida,
pois foi o mais rápido nos treinos da manhã.
Uma pena.
Neste
aspecto, André Carrillo e David Brunstein tiveram
um dia mais tranqüilo. Dentro da pista contudo,
a coisa foi agitada. Míseros três décimos
de segundo, a menor diferença em treinos de classificação
do campeonato, separaram os dois e permitiram David
a conquistar sua segunda pole-position no ano.
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Três
longas horas separaram a classificação da corrida.
A cada minuto o vento ficava mais intenso, e o céu
mais escuro. A única indagação era sobre
quando a chuva iria desabar. A existência de
um temporal nas próximas horas já era uma certeza.
Faltando
meia hora para o alinhamento do grid, começou a chover.
Quando os bólidos desfilavam na volta de apresentação,
era possível ver claramente o reflexo dos carros no
chão – indício de que o asfalto estava
ensopado, e não apenas úmido. Apesar do clima
ser o mesmo para todos, os maiores prejudicados foram os participantes
da categoria Força Livre, que utilizam pneus slick,
mais sensíveis à temperatura e sem qualquer
ranhura para o escoamento d´água.
Quando
o carro madrinha entrou nos boxes e a bandeira verde foi acionada,
vimos uma prova segura e responsável por parte dos
dois pilotos. André passou sem dificuldades David ainda
na reta dos boxes, que foi estratégico e não
quis arriscar a disputar a freada do “S” do Senna
na chuva: Brunstein era o único piloto em pista disputando
os playoffs, portanto sua pontuação
máxima estava garantida. Bastaria chegar ao final da
prova.
Veja
o vídeo onboard dos primeiros momentos da corrida,
com André Carrillo ao volante (agradecimentos à
equipe André V8/Automotor)!
Note como a chuva estava forte.
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Obviamente
a prática é muito mais complicada que
a teoria. Com pouco tempo de prova, os limpadores de
pára-brisas dos dois carros pararam de funcionar.
Os faróis dianteiros de Carrillo também
apresentaram problemas. Apesar da estratégia
pela pontuação, Brunstein chegou a ensaiar
aproximações sobre o Maverick 16 na sexta
e na nona volta. Mas o ritmo forte e o intenso spray
d´água levantado pelos pneus do carro de
André fez Brunstein refletir e desistir do ataque:
não valia a pena se arriscar tanto, já
que os pontos estariam garantidos.
Assim,
André “V8” administrou a corrida
sem problemas, e garantiu sua primeira vitória
na categoria – valorizada pelas condições
perigosas de um asfalto comprovadamente escorregadio,
e em um dia chuvoso. E David Brunstein viu-se com as
esperanças do campeonato de 2007 reacendidas.
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Para
encerrar, uma curiosidade: André Carrillo quase abre
mão de sua vitória por um pequeno engano. Em
meio à chuva, ao ver uma bandeira ser acionada da torre,
concluiu que a prova havia se encerrado. Já estava
se preparando para a entrada dos boxes, quando notou que o
bólido da Força Livre à sua frente passou
reto. Recuou rapidamente seu Maverick de volta à reta
dos boxes e recebeu, agora oficialmente, a bandeira quadriculada.
Essa foi por pouco!
Confira
o especial de 42 fotos (créditos:
Juliano "Kowalski" Barata), e mais abaixo, os resultados
e estatísticas da prova e do campeonato!
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