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Ao volante no circuito de Interlagos

É o sonho de dez entre dez fanáticos por automobilismo deste país. O Mulsanne esteve
do lado de dentro do cockpit, e traz um emocionante e detalhado relato da experiência!

Texto e fotos: Juliano "Kowalski" Barata
Agradecimentos a Renault do Brasil, agência Salem, e Centro de Pilotagem Roberto Manzini

O Mulsanne foi convidado pela Renault para um curso expresso de pilotagem defensiva e esportiva com duração de um dia,
oferecido pelo Centro de Pilotagem Roberto Manzini. A ação fez parte da divulgação do novo lançamento do fabricante, o Sandero.
Para mais informações sobre este dia, clique aqui. No relato abaixo, consta apenas a experiência esportiva no Autódromo José Carlos Pace.

É difícil encontrar a palavra apropriada que traduza a emoção de se pilotar um automóvel em Interlagos. Muito difícil. Para imaginar algo parecido, pense na primeira vez em que você andou em uma montanha-russa: certamente foi algo extremamente emocionante e que superou de longe as expectativas, mas resumir aquela salada de sensações a somente um adjetivo é uma tarefa impossível para qualquer um.

São vários os fatores que contribuem para esse grande compêndio de emoções. A história do autódromo, cujo asfalto foi autografado por vários mestres do automobilismo mundial com suas derrapagens; a topografia variada, com aclives, declives e quebras de relevo muito interessantes e que alteram significativamente o comportamento do automóvel; a imensa largura da pista e sua superfície negra, novinha em S.M.A. (stone matrix asphalt, ou matriz pétrea asfáltica)... e por aí vai. A lista é grande.


Renault Mégane do Centro de Pilotagem Roberto Manzini, na reta dos boxes de Interlagos !

Mas o fator principal é justamente aquele inerente a qualquer autódromo: a velocidade. Não a velocidade máxima, absoluta, mas sim a velocidade relativa ao contorno de suas variantes. As curvas são muito mais emocionantes que as retas, simplesmente porque sentimos no corpo a aceleração (lateral) da gravidade com maior intensidade. Com um asfalto abrasivo, e uma superfície infinitamente mais nivelada que as estreitas e irregulares vias brasileiras, os pneus aderem com muito mais eficácia no pavimento. O resultado é uma força lateral de arrepiar todos os pêlos do corpo.

Não subestime o fato de se tratar de um automóvel tipo turismo: é preciso experimentar o autódromo e brincar com os limites de aderência do carro, nem que seja só um pouco, para compreender a dimensão dessa sensação.

Sabendo que não teria muitas voltas disponíveis no comando do Renault Mégane 1.6 16V, nos dias anteriores ao curso procurei praticar em um dos simuladores mais sofisticados da atualidade, o Rfactor. Assim, teria ao menos uma vaga referência dos pontos de frenagem, tangência e reaceleração; e poderia desfrutar melhor a oportunidade. Através de um site especializado, baixei o autódromo José Carlos Pace e um carro com características parecidas: peso de aproximadamente 1200 quilos, cerca de 130 cavalos e tração dianteira. Agora, posso dizer que o Rfactor ajudou bastante; com a ressalva de que a experiência ao vivo e a cores é totalmente diferente, em vários sentidos. Mas isso é assunto para outra matéria.

Uma observação: antes de assumir o volante do Mégane preparado do Centro de Pilotagem Roberto Manzini, os instrutores deram uma aula teórica de pilotagem e levaram os convidados a bordo do novo Renault Sandero, para que todos se familiarizassem com o traçado. Não pense que foi um passeio dominical, pois os pobres pneus dianteiros do carrinho estavam praticamente pegando fogo depois da demonstração em alta velocidade.

 

O circuito de Interlagos

Apesar de ser o autódromo mais famoso do país, nem todos conhecem o traçado de Interlagos. Para compreender a dinâmica de seus atuais 4309 metros e facilitar a leitura do relato, dividiremos o circuito em duas grandes seções: o veloz anel externo (em amarelo, no mapa abaixo) e o lento miolo (laranja). A linha de chegada está demarcada com uma grande seta verde. Acompanhe um breve resumo:

Anel externo: não possui curvas de alta velocidade. Apesar da Curva do Café, do Sol e a segunda perna da Curva do Lago serem feitas de pé embaixo, elas são antecedidas por trechos relativamente lentos. A velocidade é desenvolvida nas duas grandes retas (dos boxes e oposta), além da Descida do Lago, que leva ao traiçoeiro Laranjinha. A freada mais forte do circuito é justamente a primeira, para se adentrar no "S" do Senna. É muito importante sair bem embalado da Junção e da segunda perna do "S" do Senna, para se desenvolver máxima velocidade nas retas.

Miolo: começa e termina com certa velocidade, desenvolvida nas variantes Laranjinha e Mergulho. Mas o Cotovelo, Pinheirinho (estes dois, juntos, formam o chamado "S do Miolo") e o Bico de Pato são curvas muito fechadas, sendo a última a mais lenta do traçado.

Cones de referência: foram instalados em todo o circuito para determinar os pontos de frenagem e reduções de marchas. Nas frenagens mais fortes, como as que antecedem o "S" do Senna e a Curva do Lago, os cones estavam um pouco adiantados para garantir uma entrada de curva segura. Clique aqui para visualizar uma foto.


Mapa do traçado de Interlagos


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