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Branco no preto, preto no branco
Este
belo exemplar de 1975 foi fabricado pela IKA (Industrias Kaiser
Argentina) e veio como uma companhia surpresa da Alfa
Giulia 1972 que estrelou anteriormente nas páginas do
Mulsanne. Admirar as linhas desta dupla histórica foi uma
bela experiência nostálgica a todos os presentes no
autódromo de Interlagos naquela ensolarada manhã de
sábado.
O
que mais chama a atenção neste 4L, e que automaticamente
faz a associação com o mundo dos Rallyes e provas
de longa duração, são os enormes faróis
auxiliares amarelos e o capô pintado em preto fosco semi-brilho.
A pintura não é mera "máscara de guerra":
ela tem a função de reduzir os reflexos da luz solar,
garantindo maior conforto e segurança à tripulação.
Muitos carros de competição utilizaram este recurso
ao longo dos anos, como alguns dos Ford GT40, Lancia Stratos e Dodge
Challenger T/A.

A
preparação deste Renault foi feito à moda da
época. O motor foi apimentado com um comando de válvulas
mais bravo, teve sua taxa de compressão aumentada, e a carburação
acertada a contento. Outras modificações incluem um
sistema de escape direto, eliminação dos parachoques
e assento traseiro, instalação de dois pneus de estepe
e estrutura tubular interna, travas de segurança no capô
e tampa traseira, instrumentação de gerenciamento
do motor, luz para leitura de mapas, e uma bateria com chave de
corte geral instalada dentro do cockpit.
Olhando
de fora
Esta
foi a primeira vez em que não pude estar a bordo de um carro
a estrelar nas páginas do Mulsanne. Não foi por falta
de convite ou vontade: em poucos minutos teríamos a largada
de uma das etapas do Campeonato
Históricos V8 5000, e o tempo estava extremamente escasso
para conhecer a fundo dois carros. Tive de cometer uma injustiça
e favoreci a Alfa Giulia com minhas impressões a bordo.
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Contudo,
o automobilismo envolve todos os sentidos, e a visão
é obviamente um dos mais importantes. Por isso, quando
o dono deste pequeno prodígio francês o manobrou
em curvas radicais para algumas poses em ação,
fiquei de olho no comportamento dinâmico do bicho.
Confesso
que esperava um pouco mais de rolagem da carroceria: o 4L
me surpreendeu positivamente neste aspecto. Para um carro
relativamente estreito e alto, o Renault inclinou pouco nas
curvas, que estavam sendo atacadas com vontade. Seu dono estava
confortável ao volante, sem precisar fazer muitas correções
de rota. Ele
ainda me contaria um causo muito interessante durante o ensaio
fotográfico:
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...é
um carro muito resistente, ainda hoje muitos estão correndo.
No ano de 2003, uma equipe portuguesa largou várias etapas
do Mundial de Rally com uma 4L. No Rally da Suécia, a tripulação
chegou com uma semana de antecedência ao evento, e aprenderam
a dirigir no gelo com um taxista, pois não tinham experiência
previa. Completaram a prova, sempre em último lugar e foram
provavelmente os mais aplaudidos do evento, inclusive a organização
agradeceu muito por terem ido até o final: o publico manteve-se
organizado em cada prime para ver passar a Renault e não
provocaram engarrafamentos na saída dos especiais.
| Não
bastando as curvas fechadas, ainda abusamos deste Renault
mais um pouco, ao subir um degrau com somente um dos lados
da carroceria para fazer algumas fotos. Era um obstáculo
alto. Quase nenhum veículo que conheço poderia
fazer o que este carrinho fez com "um pé nas costas"!
Este
é o Renault 4L. Acessível, robusto e carismático,
um automóvel cujas potencialidades simplesmente não
podem ser subestimadas. Para ilustrar o que quero dizer, acompanhe
no vídeo abaixo um outro exemplar de Rallye, enfrentando
condições de solo extremamente precárias.
Alguém ainda duvida que o Quatrelle passeia
tranqüilamente por lugares onde até mesmo caminhar
seria quase impossível ?
Não
perca a galeria de fotos, na próxima página!
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