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Pronta para Rallyes de Clássicos
A
suspensão rebaixada, mais a estrutura tubular interna (gaiola)
e os faróis auxiliares não deixam ninguém se
enganar à primeira vista. É um exemplar modificado
para participar de provas de automóveis antigos, tal como
a Subida da Montanha do morro da Borússia, que ocorre anualmente
em Osório, litoral norte do Rio Grande do Sul.
De
fato, este exemplar foi encontrado nas regiões mais frias
de nosso país e imediatamente trazido para a cidade de São
Paulo. A caracterização para competições
inclui ainda a remoção dos parachoques, instalação
de ganchos para reboque, travas de segurança no capô
e tampa do porta-malas, substituição das rodas de
aço originais por unidades de liga leve da Campagnolo (utilizados
nas Alfetta, modelo lançado posteriormente à Giulia)
e mudança do bocal de abastecimento. Respire um pouco, pois
a lista ainda não acabou: no interior, a parte elétrica
sofreu algumas modificações, toda a forração
foi substituída por painéis leves de alumínio,
e bancos concha da Sparco foram instalados.

Agora,
vamos à mecânica. O motor original, de 1290cc, carburação
simples e aproximadamente 80 cavalos, foi substituído por
uma versão de curso mais longo, um 1600 (1570cc) equipado
com dupla carburação Dellorto 40mm, remetendo às
velocíssimas Alfa Giulia GTA de competição.
O comando de válvulas deste exemplar possui graduação
original de fábrica, resultando em um motor dócil,
esperto e com ótima pegada em baixo giro – por outro
lado, sem tanta potência de pico.
A
suspensão foi recalibrada em uma ótima configuração
para a sua proposta. O automóvel está baixo e firme,
graças à utilização de molas e amortecedores
um pouco mais resistentes, mas que não chegam a maltratar
os passageiros com a falta de curso na suspensão e o excesso
de rigidez – típicos de um carro de competição.
De maneira geral, estar a bordo desta Giulia para um passeio esportivo
é algo extremamente agradável, e veremos o por quê
disso nos parágrafos abaixo!
Em
Interlagos, novamente!
Combinei
com Diego, o proprietário desta bela macchina, de
nos encontrarmos no Autódromo de Interlagos para realizarmos
o ensaio fotográfico, tal como foi feito com o Maverick
GT da última matéria. Era a primeira etapa do
Campeonato Paulista de 2008, e São Pedro contribuiu com um
céu de brigadeiro – além de um calor úmido
insuportável de quase trinta e cinco graus.
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(
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Fazendo
companhia à Giulia, qual não foi minha surpresa
ao avistar no paddock um belíssimo e raro
(no Brasil) Renault 4L 1975, igualmente caracterizado para
Rallyes. Para qualquer amante de automóveis antigos,
isso equivale a um imediato sorriso de orelha a orelha. Que
o diga Oswaldo Barros, alfisti de mão cheia
que já se encontrava ao lado do exemplar Celeste
batendo um papo com Diego.
A
conversa estava ótima, mas era hora de levarmos a dupla
dinâmica para o local das fotos, próximo à
Curva do Lago. Ao dar a partida, aquele clássico ronco
grave e metálico de Alfa Romeo tomou conta da cabine.
Quem já ouviu, se arrepia só de lembrar. É
algo simplesmente sensacional...
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Descemos
o estacionamento até a área de reabastecimento dos
carros de competição, que fica na saída da
Curva do Sol antiga, e depois pegamos a reta que levava à
Curva do Sargento. São trechos
do traçado original de Interlagos, abandonados à própria
sorte. Ali, deu para sentir que o motorzinho tinha uma ótima
pegada em giros baixos.
| Fizemos
algumas poucas e boas variantes dentro do complexo do autódromo
em tocada esportiva. O comportamento dinâmico desta
Alfinha é uma delícia, bastante equilibrado
e previsível. Com um rápido alívio do
acelerador, seguido do esterçamento do volante com
o retorno à aceleração, os pneus traseiros
começam a escorregar nas curvas, mas não excessivamente.
Abrem um pequeno arco sem abrir mão da fidelidade de
rota em relação aos dianteiros.
Eu,
acostumado ao comportamento desajeitado dos chamados muscle
cars, que exigem muita concentração e delicadeza
nos comandos, estava maravilhado com o quanto podia-se ir
rápido com esta Giulia nas curvas de maneira totalmente
relaxada, laid-back, quase displicente!
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(
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Para
falar a verdade, um amigo de Portugal já havia me dado a
dica há alguns meses. O entre-eixos da Giulia berlina,
160 milímetros mais longo que a versão coupé,
aumenta a estabilidade direcional do automóvel, diminui as
transferências de peso nas frenagens e acelerações,
e torna as saídas de traseira mais controláveis, mesmo
aquelas próximas à situações-limite.
Claro, há um preço a ser pago: além do peso
maior, a chamada inércia polar também aumenta proporcionalmente;
ou seja, em relação ao coupé, a berlina
é um pouco menos esperta nas reações e mudanças
de direção. Mas nem de longe é lenta, muito
pelo contrário: sua aerodinâmica mais bem resolvida
garante alguns quilômetros por hora a mais na velocidade final.
Bom.
Ou no caso, ruim: a pior parte do dia sempre é ter de sair
do automóvel antigo, ainda mais de um tão divertido
como este. Há uma força magnética que prende
os fanáticos como eu dentro do habitáculo, mas as
obrigações do mundo automobilístico convocaram
este que vos fala para fora da Giulia, e eu não poderia faltar.
Era hora de pular muros, enfrentar pernilongos, pegar sol na cuca,
e fotografar os bólidos de corrida mandando brasa no circuito,
competindo no Campeonato Paulista de Automobilismo.
E
a Alfa? Ficou lá paradinha, observada constantemente por
curiosos e esperando a hora de ser ligada novamente, ao lado de
outros automóveis antigos. E nisso, incluo o belo Renault
4L, que estrelará na próxima matéria do Mulsanne.
Afinal, já era hora deste site iniciar o tour pelos
maravilhosos carros históricos europeus, não acham?
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