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Gentlemen, start your engines !
Giro
a chave, e o motor de arranque Wapsa desperta a fera instantaneamente.
Este é um Dodge “cavalheiro”, com ronco discreto
e marcha lenta deliciosamente estável a 550 giros. Seu câmbio,
de 3 velocidades e acionamento na coluna, é convidativo a
um passeio sem abusos.
Engatada a primeira marcha, solto a macia embreagem sem pressa.
Sei que estou bem servido de torque. Posso alimentar o motor com
o mínimo de combustível necessário e passar
a marcha cedo, ele não reclama nem vibra. E é bom
manter os giros baixos enquanto o propulsor não atinge a
temperatura ideal de funcionamento. O V8 5.2 litros ainda está
um pouco áspero, mas sei que em alguns minutos ele estará
macio como um pão-de-ló.

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Enquanto
isso, noto que o conjunto de suspensão está de acordo
com a proposta deste carro e mantém um conforto digno mesmo
em superfícies irregulares: buchas de borracha, amortecedores
Gabriel Gas Ryder, pneus Pirelli P3000 195/70/14 e uma barra estabilizadora
dianteira, com espessura original da fábrica. Apesar da comodidade,
a suspensão é rígida o suficiente, e não
oferece aquela sensação de "colchão d´água"
típica de carros desta categoria.
A estrutura deste carro é extremamente bem conservada. O
carro não transmite nenhum barulhinho ao lidar com imperfeições
do asfalto, e os feixes de mola não emitem um rangido sequer.
Uma delícia.
A caixa de direção hidráulica ZF, instalada
posteriormente pelo proprietário, responde de maneira particularmente
interessante. Ela não tem relação tão
desmultiplicada como os concorrentes de época, e assim suas
respostas são razoavelmente rápidas; requerendo pouca
adaptação no caso de marinheiros de primeira viagem.
Em contrapartida, ela não transmite ao condutor com precisão
como estão aderindo os pneus dianteiros em curvas mais rápidas,
e é um tanto quanto macia para velocidades altas. Mas ainda
assim, é uma caixa excepcional – e além de tudo,
muito resistente.
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Leva
um certo tempo de passeio para o motor aquecer. Com muitos
litros d´água circulando neste sistema de arrefecimento,
um massudo bloco, coletor de admissão de alumínio
(Edelbrock Performer), e poucas explosões por causa
do regime de rotações típico de um vê-oitão,
não poderia esperar algo muito diferente.
Mas
de qualquer forma, é melhor aquecer o bicho passeando,
sem pressa. Assim, o sistema de transmissão também
aquece apropriadamente. Enquanto os componentes metálicos
não dilatam até o ponto ideal de funcionamento,
mantenho os giros baixos.
Bom.
Após alguns, digo, vários minutos depois, o
propulsor vai ficando mais elástico, e o ponteirinho
da temperatura começa a subir. Finalmente acusa a faixa
mágica: posso usar as rotações à
vontade.
Numa
esticada esportiva, feita em uma rua completamente vazia,
percebo que este motor acorda pra valer a partir de aproximadamente
dois mil giros. Daí em diante ele estilinga com força
cada vez maior até 5.000rpm, sem dificuldades nem trancos.
O comando de válvulas é bem dócil, mas
cobra um pouco sua parte em regimes inferiores. Não
chega a incomodar, pois a potência vem progressiva e
macia.
Quando
as rotações sobem e o segundo estágio
(a vácuo) do carburador Edelbrock entra em ação,
o ronco deste Dart fica invocado. É muito esportivo
e estimulante, sem ser agressivo aos ouvidos. |

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O
conta-giros adaptado à coluna é um excelente instrumento
numa excelente posição para acompanhar tudo isso.
É possível monitorar os giros usando somente a visão
periférica, tamanha é sua visibilidade. Fantástico.
Para
os marinheiros de primeira viagem, a utilização de
um câmbio de três marchas na coluna, como o deste Dodge,
exigirá um pouco de paciência. A primeira é
acionada puxando a alavanca em direção ao peito e
trazendo-a para baixo. Para passar à segunda, traga a alavanca
de volta ao ponto morto, empurre-a em direção ao painel
e então engate-a para cima. Daí para a terceira, basta
puxar para baixo a alavanca.
Em
teoria, sua operação seria uma transposição
à coluna do trambulador no assoalho, mas a verdade é
que se trata de um bicho totalmente diferente. A alavanca é
fina, a manopla é delicada, e não há muita
precisão se comparado ao sistema "no chão",
como dizem. Passar da primeira para a segunda com rapidez exige
destreza e uma boa munheca, pois a alavanca exige que a operação
seja feita passo-a-passo. Qualquer movimento que insinue "cortar
caminho" passando marchas na diagonal é recusado.
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