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Gentlemen, start your engines !

Giro a chave, e o motor de arranque Wapsa desperta a fera instantaneamente. Este é um Dodge “cavalheiro”, com ronco discreto e marcha lenta deliciosamente estável a 550 giros. Seu câmbio, de 3 velocidades e acionamento na coluna, é convidativo a um passeio sem abusos.

Engatada a primeira marcha, solto a macia embreagem sem pressa. Sei que estou bem servido de torque. Posso alimentar o motor com o mínimo de combustível necessário e passar a marcha cedo, ele não reclama nem vibra. E é bom manter os giros baixos enquanto o propulsor não atinge a temperatura ideal de funcionamento. O V8 5.2 litros ainda está um pouco áspero, mas sei que em alguns minutos ele estará macio como um pão-de-ló.


Dodge Dart de Luxo 1974.  Hora de mandar brasa!
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Enquanto isso, noto que o conjunto de suspensão está de acordo com a proposta deste carro e mantém um conforto digno mesmo em superfícies irregulares: buchas de borracha, amortecedores Gabriel Gas Ryder, pneus Pirelli P3000 195/70/14 e uma barra estabilizadora dianteira, com espessura original da fábrica. Apesar da comodidade, a suspensão é rígida o suficiente, e não oferece aquela sensação de "colchão d´água" típica de carros desta categoria.

A estrutura deste carro é extremamente bem conservada. O carro não transmite nenhum barulhinho ao lidar com imperfeições do asfalto, e os feixes de mola não emitem um rangido sequer. Uma delícia.

A caixa de direção hidráulica ZF, instalada posteriormente pelo proprietário, responde de maneira particularmente interessante. Ela não tem relação tão desmultiplicada como os concorrentes de época, e assim suas respostas são razoavelmente rápidas; requerendo pouca adaptação no caso de marinheiros de primeira viagem. Em contrapartida, ela não transmite ao condutor com precisão como estão aderindo os pneus dianteiros em curvas mais rápidas, e é um tanto quanto macia para velocidades altas. Mas ainda assim, é uma caixa excepcional – e além de tudo, muito resistente.

Leva um certo tempo de passeio para o motor aquecer. Com muitos litros d´água circulando neste sistema de arrefecimento, um massudo bloco, coletor de admissão de alumínio (Edelbrock Performer), e poucas explosões por causa do regime de rotações típico de um vê-oitão, não poderia esperar algo muito diferente.

Mas de qualquer forma, é melhor aquecer o bicho passeando, sem pressa. Assim, o sistema de transmissão também aquece apropriadamente. Enquanto os componentes metálicos não dilatam até o ponto ideal de funcionamento, mantenho os giros baixos.

Bom. Após alguns, digo, vários minutos depois, o propulsor vai ficando mais elástico, e o ponteirinho da temperatura começa a subir. Finalmente acusa a faixa mágica: posso usar as rotações à vontade.

Numa esticada esportiva, feita em uma rua completamente vazia, percebo que este motor acorda pra valer a partir de aproximadamente dois mil giros. Daí em diante ele estilinga com força cada vez maior até 5.000rpm, sem dificuldades nem trancos. O comando de válvulas é bem dócil, mas cobra um pouco sua parte em regimes inferiores. Não chega a incomodar, pois a potência vem progressiva e macia.

Quando as rotações sobem e o segundo estágio (a vácuo) do carburador Edelbrock entra em ação, o ronco deste Dart fica invocado. É muito esportivo e estimulante, sem ser agressivo aos ouvidos.

Dodge Dart descendo a ladeira
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O conta-giros adaptado à coluna é um excelente instrumento numa excelente posição para acompanhar tudo isso. É possível monitorar os giros usando somente a visão periférica, tamanha é sua visibilidade. Fantástico.

Para os marinheiros de primeira viagem, a utilização de um câmbio de três marchas na coluna, como o deste Dodge, exigirá um pouco de paciência. A primeira é acionada puxando a alavanca em direção ao peito e trazendo-a para baixo. Para passar à segunda, traga a alavanca de volta ao ponto morto, empurre-a em direção ao painel e então engate-a para cima. Daí para a terceira, basta puxar para baixo a alavanca.

Em teoria, sua operação seria uma transposição à coluna do trambulador no assoalho, mas a verdade é que se trata de um bicho totalmente diferente. A alavanca é fina, a manopla é delicada, e não há muita precisão se comparado ao sistema "no chão", como dizem. Passar da primeira para a segunda com rapidez exige destreza e uma boa munheca, pois a alavanca exige que a operação seja feita passo-a-passo. Qualquer movimento que insinue "cortar caminho" passando marchas na diagonal é recusado.


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