| Ao
Volante: Dodge Dart 1974
Este
Chrysler esbanja sobriedade, classe e desempenho.
Confira como é a sensação de se adentrar e
conduzir este clássico!
| Texto
e fotos: Juliano "Kowalski" Barata |
Carros
com poucos donos e originalidade visual intacta têm se tornado
uma raridade disputada a tapa pelos antigomobilistas. Com o mar
cheio de especulação e oportunistas, e o mercado de
peças inflacionado e escasso, a vida de amante de carros
antigos anda complicada, para não dizer desanimadora.
Como uma brisa de ar fresco, todas estas preocupações
são relegadas a segundo plano conforme me aproximo deste
belo exemplar de Dodge Dart, um dos mais sóbrios –
e sólidos – que eu vi nos últimos tempos. E
completamente esquecidas quando adentro em seu habitáculo
para viver a experiência incrível de conduzir este
clássico da indústria automobilística brasileira.

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Este
é um espécime particularmente interessante. Por trás
da sobriedade de suas linhas, reforçada pela discreta cor
Branco Ipanema, bancos inteiriços, calotas cromadas, e um
silencioso sistema de escape, esconde-se um propulsor apimentado
na dose certa – e que pode intrigar os jovens da “geração
Velozes e Furiosos”, acostumados à performance necessariamente
ligada a um visual agressivo.
Seu dono apaixonou-se pela sobriedade estética deste exemplar
e fez questão de conservar esta caracterização
ao adquirí-lo: dispensou os pneus com letrado branco, sistema
de som ultrapotente e chamativo, conta-giros do tipo monster
(aqueles enormes, de competição), ou qualquer coisa
que agredisse em demasia o propósito classudo deste Dart.
Assim,
o espírito de época deste carro está completamente
preservado, e é esta a sensação que tenho ao
caminhar em seu redor, admirando a sutileza de seus detalhes. Mas
não há muito tempo a perder com contemplações
– afinal esta é a seção Ao Volante,
e é disso que trataremos aqui!
Adentrando
no Dart
A
primeira coisa que noto logo ao abrir a porta do motorista é
a profusão daquele coquetel de aromas característicos,
o favorito de todos os antigomobilistas. Um cheiro levemente adocicado
que mistura gasolina, óleo, e forrações com
trinta anos de história para contar: exceto os cintos de
segurança de três pontos, o carpete e o dashpad
(almofada do painel), toda a tapeçaria é original
de fábrica.
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O
modelo veio equipado com um câmbio manual de três
marchas, de acionamento na coluna, o que necessariamente implica
em um banco inteiriço (bench seat) na frente.
Este tipo de assento, embora confortável e muito agradável
para passeios românticos, oferece algumas desvantagens
em relação aos bancos individuais (bucket
seats). Seu encosto não possui regulagem de ângulo,
e a regulagem de distância do assento é limitada
se comparada aos bancos individuais – um problema para
motoristas com estatura superior a aproximadamente 1,80m.
Assim, consigo me ajeitar com algum conforto, mas certamente
estaria mais satisfeito se o banco dianteiro recuasse poucos
centímetros a mais.
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Uma
vez acomodado no interior do Dart, começo a prestar atenção
aos belos detalhes. A instrumentação é clara
e objetiva, resumida em dois bojos. O da esquerda possui o velocímetro
e hodômetro, e o da direita contém os ponteiros de
temperatura e gasolina, além de quatro luzes espia: luz alta
ligada, freio de estacionamento acionado, pressão de óleo
baixa e carga do alternador baixa.
Há
um terceiro bojo menor ao centro, destinado ao conta-giros ou ao
relógio. Este exemplar, bastante espartano, dispensou estes
dois opcionais de fábrica. O proprietário instalou
posteriormente um discreto conta-giros Sunpro modelo Super Tach
II, fixado na coluna de direção, tal como vieram equipados
alguns Dodge Dart GTS e GSS (modelos americanos) do final dos anos
60. O acessório está exatamente no ângulo deste
bojo vazio, não prejudicando assim a leitura da instrumentação.
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Os
botões de acionamento dos faróis e limpadores
do pára-brisa são bastante intuitivos e de fácil
acesso. Já o interruptor do farol alto fica escondido
na alavanca do pisca, mas é bastante prático.
Como o restante do carro, o painel de maneira geral é
discreto e funcional.
Uma
das coisas interessantes da linha Dodge Dart é o fato
de poder-se enxergar integralmente o capô, os paralamas
e a tampa do porta-malas. Isso dá uma forte impressão
de solidez, e ao mesmo tempo reforça a sensação
que estamos de fato dentro de um carro, e não numa
bolha, num invólucro envidraçado.
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Por
se tratar de um modelo coupé sem coluna, há um belo
efeito estético ao manter-se abertos os vidros dianteiros
e traseiros; e a visibilidade lateral é excelente. É
verdade que a grossa coluna “C” toma um pouco da visão
no chamado “ponto cego”, mas isso não representa
um problema crítico. Só demanda uma certa cautela
em mudanças de faixa de tráfego.
Antes
do momento mais esperado, ajusto os espelhos retrovisores de regulagem
externa. Originalmente disponíveis somente do lado esquerdo,
neste modelo foi adicionada uma peça no lado do passageiro;
uma modificação bem-vinda numa época onde o
trânsito beira a insanidade. A visibilidade é suficiente
em ambos os espelhos, que por sinal são lindas peças
cromadas, de desenho característico dos veículos da
Chrysler.
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