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Bullitt
(1968)
Muitos
assitem a este filme apenas como couvert a uma épica
sequência, de somente dez minutos.
Veja o por quê e descubra todos os detalhes deste clássico
automobilístico!
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Texto:
Juliano "Kowalski" Barata - Fotos: créditos
individuais - Imagens: Warner Bros Inc. |
Quando
se pensa na melhor cena de perseguição entre automóveis
já feita, poucas alternativas restam além de Bullitt,
de Peter Yates. Tudo o que veio depois parece orbitar em torno desta
película de alguma forma. Seja como homenagem, como tentativa
de superação, como cópia descarada ou como
plágio disfarçado; todas as perseguições
produzidas posteriormente parecem esconder a frustração
de nunca poder se equiparar à obra-prima, ou seja, a primeira
obra do gênero.
Ford
Mustang versus Dodge Charger. Duas lendas automobilísticas
em uma cena de perseguição lendária.
Obviamente,
houveram muitas cenas de corridas e perseguições entre
automóveis anteriores à 1968 no cinema; mas não
com o mesmo enfoque, intensidade, e tônica realista –
objetivos comuns a Peter Yates e Steve McQueen. De fato, inaugurou-se
um novo paradigma, com novos parâmetros e exigências
acerca de como deve ser uma cena de perseguição automobilística
após Bullitt.
Como
bônus, o filme congela em sua película uma última
fração da era romântica dos automóveis
norte-americanos, que em pouco tempo sofreria uma transformação
sem volta. O conceito e design dos carros ianques decairiam radicalmente
sob a influência da crise do petróleo em termos de
estilo, autenticidade e performance.
Bueno.
Antes de qualquer coisa, sejamos francos: toda a trama policial-conspiratória
de Bullitt é uma introdução, pra não
dizer pretexto, à tal cena da perseguição do
Ford Mustang ao Dodge Charger. Foi ela quem fez toda a fama do filme,
e será nosso único enfoque – por isso, dispensemos
o enredo e suas tramas. Embora as atuações dos personagens
de Steve McQueen e Robert Vaughn sejam dignas de servir como cartilha
essencial a qualquer aspirante a ator; quase todos do staff, incluindo
o diretor e mesmo seus atores, frisaram que o roteiro era confuso
e que os diálogos eram deficientes e incompletos.
Steve
McQueen (no alto) e Bill Hickman. |
Assim,
a perseguição deu o sentido, a solidez, e a
energia que a trama carecia. Soma-se a isso um compêndio
de coincidências felizes: a bela cidade de São
Francisco, com suas rampas e estradas; dois muscle cars históricos;
excelentes atores e pilotos, como Bill Hickman e Steve McQueen;
e todo o charme dos anos 60 como pano de fundo.
O
filme estava a salvo.
Steve
e Bill treinaram exaustivamente em um circuito e em um aeroporto
abandonado, nas proximidades das locações, para
obterem intimidade e previsibilidade um em relação
ao outro no controle de seus carros em alta velocidade. Nunca
havia sido feita antes uma cena como a planejada. McQueen
exigiu que não houvesse aceleração da
película, artifício utilizado para se aumentar
a sensação de velocidade. Por isso, estava previsto
que os carros atingissem quase 200 quilômetros por hora
em perímetro urbano, e foi exatamente o que aconteceu
durante as filmagens, em Abril de 1968. Uma loucura.
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Um
detalhe curioso: não eram dois os carros a correrem alucinadamente
pelas ruas de São Francisco, mas sim, três. Pois havia
também Pat Houstis, piloto e construtor do carro-câmera.
Ele utilizou um Chevrolet Corvette preparado e totalmente modificado
para carregar o equipamento de captação de vídeo,
operado por Bill Franker. Segundo Carey Loftin, idealizador da perseguição,
o carro era horroroso e em nada lembrava um “Vette”...
mas era rapidíssimo e funcional. Veja as fotos abaixo.

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