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Bullitt (1968)
Muitos assitem a este filme apenas como couvert a uma épica sequência, de somente dez minutos.
Veja o por quê e descubra todos os detalhes deste clássico automobilístico!

Texto: Juliano "Kowalski" Barata - Fotos: créditos individuais - Imagens: Warner Bros Inc.

Quando se pensa na melhor cena de perseguição entre automóveis já feita, poucas alternativas restam além de Bullitt, de Peter Yates. Tudo o que veio depois parece orbitar em torno desta película de alguma forma. Seja como homenagem, como tentativa de superação, como cópia descarada ou como plágio disfarçado; todas as perseguições produzidas posteriormente parecem esconder a frustração de nunca poder se equiparar à obra-prima, ou seja, a primeira obra do gênero.


Uma das cenas finais da perseguição: Ford Mustang 390 de Frank Bullitt duela com o Dodge Charger 440 dos vilões.
Ford Mustang versus Dodge Charger. Duas lendas automobilísticas em uma cena de perseguição lendária.

Obviamente, houveram muitas cenas de corridas e perseguições entre automóveis anteriores à 1968 no cinema; mas não com o mesmo enfoque, intensidade, e tônica realista – objetivos comuns a Peter Yates e Steve McQueen. De fato, inaugurou-se um novo paradigma, com novos parâmetros e exigências acerca de como deve ser uma cena de perseguição automobilística após Bullitt.

Como bônus, o filme congela em sua película uma última fração da era romântica dos automóveis norte-americanos, que em pouco tempo sofreria uma transformação sem volta. O conceito e design dos carros ianques decairiam radicalmente sob a influência da crise do petróleo em termos de estilo, autenticidade e performance.

Bueno. Antes de qualquer coisa, sejamos francos: toda a trama policial-conspiratória de Bullitt é uma introdução, pra não dizer pretexto, à tal cena da perseguição do Ford Mustang ao Dodge Charger. Foi ela quem fez toda a fama do filme, e será nosso único enfoque – por isso, dispensemos o enredo e suas tramas. Embora as atuações dos personagens de Steve McQueen e Robert Vaughn sejam dignas de servir como cartilha essencial a qualquer aspirante a ator; quase todos do staff, incluindo o diretor e mesmo seus atores, frisaram que o roteiro era confuso e que os diálogos eram deficientes e incompletos.

Frank Bullitt e Bill Hickman: herói sucinto e vilão ainda mais discreto.
Steve McQueen (no alto) e Bill Hickman.

Assim, a perseguição deu o sentido, a solidez, e a energia que a trama carecia. Soma-se a isso um compêndio de coincidências felizes: a bela cidade de São Francisco, com suas rampas e estradas; dois muscle cars históricos; excelentes atores e pilotos, como Bill Hickman e Steve McQueen; e todo o charme dos anos 60 como pano de fundo.

O filme estava a salvo.

Steve e Bill treinaram exaustivamente em um circuito e em um aeroporto abandonado, nas proximidades das locações, para obterem intimidade e previsibilidade um em relação ao outro no controle de seus carros em alta velocidade. Nunca havia sido feita antes uma cena como a planejada. McQueen exigiu que não houvesse aceleração da película, artifício utilizado para se aumentar a sensação de velocidade. Por isso, estava previsto que os carros atingissem quase 200 quilômetros por hora em perímetro urbano, e foi exatamente o que aconteceu durante as filmagens, em Abril de 1968. Uma loucura.

Um detalhe curioso: não eram dois os carros a correrem alucinadamente pelas ruas de São Francisco, mas sim, três. Pois havia também Pat Houstis, piloto e construtor do carro-câmera. Ele utilizou um Chevrolet Corvette preparado e totalmente modificado para carregar o equipamento de captação de vídeo, operado por Bill Franker. Segundo Carey Loftin, idealizador da perseguição, o carro era horroroso e em nada lembrava um “Vette”... mas era rapidíssimo e funcional. Veja as fotos abaixo.

Chevrolet Corvette preparado e modificado de Pat Houstis, para as filmagens de Bullitt.


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